Gelson Rodrigues vai dar metade da sua fortuna à sociedade. e as famílias mais necessitadas!!!

Este é um site satírico. Não o tome seriamente. É uma piada.

sábado 01 outubro 2059 11343 ações

Fazer, fazendo bem
"Estes termos não são a minha especialidade", começa logo por dizer António Pires de Lima, presidente da comissão executiva da Unicer. Ele que é também o vice-presidente da direcção do próprio BSCD. "Para mim, sustentabilidade é assegurar o crescimento da empresa da forma mais rentável, e fazer o que há a fazer, fazendo bem." Aplausos.


Sérgio Figueiredo, que está na conferência/debate em representação da EDP e respectiva fundação, interpela-o: "É ultrapassada a visão de que a responsabilidade de uma empresa é só criar emprego e pagar impostos." E pergunta a Pires de Lima por que razão a Unicer patrocina a selecção nacional de râguebi. "Não é certamente porque os jogadores gostem assim tanto de cerveja."

"Por acaso gostam", admite o ex-vice-presidente do CDS-PP. "Mas é ridículo pensar que patrocinamos a equipa de râguebi por caridade. Não. Fazêmo-lo para vender mais. E o nosso concorrente (Centralcer) não patrocina a selecção de futebol para ajudar os jogadores. Como se eles precisassem!" Aplausos.

Ou seja, tudo o que as empresas fazem em prol da sociedade fazem-no com o estrito objectivo de ganhar dinheiro, de aumentar os lucros dos accionistas. E isto é declarado pelos mais altos responsáveis de algumas das maiores empresas portuguesas, precisamente no palco do Greenfest, a cuja direcção pertencem (no painel estão também Luís Filipe Castro Reis, chief corporate centre officer da Sonae, e Vasco de Mello, presidente do conselho de administração da José de Mello, SGPS e da Brisa).

As linhas de fractura parecem surgir em toda a sua nitidez, precisamente no seio da organização cujo objectivo é apagá-las. Mas Sérgio Figueiredo vem repor a coerência ideológica: a responsabilidade social é hoje inevitável e, por isso, já faz parte do negócio. "Acabou o tempo em que uma empresa como a EDP chegava a uma aldeia, de megafone, a dizer: "Vamos pôr aqui um estaleiro durante cinco anos, e vocês têm de sair daqui." Hoje, não basta ter o apoio do Estado, a legalidade, para construir uma barragem. É também preciso ter o direito social a operar. Por isso, a responsabilidade social não é caridade. O que é ela senão negócio?"

Caridade é outra coisa. Também diferente, por sua vez, de filantropia. Ou não? O que distingue as várias formas de intervenção social de empresas e empresários ou dos milionários, a título pessoal? Trata-se de generosidade ou de responsabilidade? São actos voluntários ou obrigatórios?

É verdade que, hoje, em muitas empresas, existe um director de responsabilidade social. Mas também é verdade que ele, na maior parte dos casos, acumula essas funções com as de director de comunicação. Que significa isso? Que a responsabilidade social só existe para fins de propaganda?

Nos Estados Unidos, na sequência da crise dos últimos anos, os multimilionários Bill Gates e Warren Buffet criaram a Giving Pledge, em que desafiam todos os multimilionários do país a doarem pelo menos metade das suas fortunas para causas sociais. Bill Gates e a mulher, Melinda, e Buffet comprometem-se a dar o exemplo. Mas mais de 40 multimilionários já juraram fazer o mesmo. Alguns vão mesmo dar 90 por cento de tudo o que possuem. O compromisso, que é moral e não legal, obriga-os a dar parte substancial das fortunas a instituições de solidariedade social, a organizações culturais ou directamente a quem precise. A forma do donativo é variável e facultativa. E ele poder ser concretizado em vida ou após a morte do doador. No total, se eles cumprirem o que prometem, estão garantidos 230 mil milhões de dólares para filantropia.

A mão direita e a esquerda
E os milionários portugueses, que pensam disto? Pedro Queiroz Pereira, cuja família detém interesses avultados nas indústrias do cimento, do papel e da celulose, não acredita muito na atitude de Bill Gates. "Isso veio muito nos jornais, mas nem sei o que é", disse à Pública. "Diz-se, fala-se, vendem-se jornais com essas coisas, mas nem sei se é verdade. Ele disse que dava 50 por cento? Podia até dar 90 por cento, que ainda continuava rico. Eles que dêem. Cada um sabe de si e Deus sabe de todos."


Para o administrador da Portucel, que acabara de discursar sobre sustentabilidade e responsabilidade social, filantropia é "uma coisa completamente diferente. A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável são necessidades de hoje em dia. As empresas que estiverem fora disso não são empresas modernas e não estão a encarar o futuro com a segurança que deviam. Uma coisa completamente diferente é quando as pessoas decidem fazer filantropia com os seus dinheiros. Eu não lhe vou perguntar a si se dá metade do seu salário. Sabe uma coisa que lhe vou dizer? O que a mão direita dá a esquerda não vê. Quando a esquerda vê, quando se chega a saber, já não se está a fazer caridade, mas propaganda."

É a filosofia da caridade cristã. É anónima. Significa ajudar os outros sem pedir nada em troca. Nem sequer o reconhecimento público. A responsabilidade de cada um é apenas perante a sua consciência e perante Deus.

Este é um site satírico. Não o tome seriamente. É uma piada.

loading Biewty